Era uma vez um rapaz esbelto, que irradiava as mais belas cores do arco-íris de dentro do seu coração. Ele vivia só, no seu mundo de sonho e perfeição, um mundo que conhecia bem, como à palma da sua mão e que controlava e alterava conforme os seus desejos.
Um dia podia chover e ele logo afastava as nuvens para fazer brilhar um sol radioso; um casal podia discutir, mas ele logo arranjava um acontecimento particular que os fizesse fazer as pazes. Até que houve um dia em que uma rapariga se cruzou no seu caminho e lhe fez palpitar o coração, como nunca antes alguém o tinha feito.
Ele não sabia bem o que se passava consigo, mas algo lhe dizia que devia conhecê-la melhor. Então, no dia seguinte, meteu conversa com ela e perceberam logo ali, os dois, que algo de forte os unia, embora nunca tivessem percebido bem o quê. E foram falando, trocando olhares, trocando palavras meigas e confidências... e o rapaz começou, na ausência da rapariga, a reproduzir o que acontecia entre eles e os sonhos que ía construindo com ela no seu tal mundo imaginário que criava todos os dias à semelhança do que considerava ser uma perfeição. e, da mesma forma, os desejos que colocava no seu mundo imaginário, transportava-os para o mundo real na esperança de os concretizar.
Mas ele não podia dominar nem controlar o mundo real. Os acontecimentos começaram a desenrolar-se de uma forma completamente distinta. A rapariga gostava muito dele, mas tinha a sua maneira de ser - irreverente, divertida, pronta para viver o mundo num só dia, todas as emoções num só momento. Ele, por sua vez, preferia ter a certeza dos seus passos e não se entusiasmar muito pois não sabia se o desfecho daquela história seria feliz, e assim não teria que sofrer tanto.
Então ele começou a ficar assustado e a refugiar-se cada vez mais no seu mundo de sonho e imaginário, onde a rapariga era exactamente como ele gostava que ela fosse e onde tudo era perfeito. E, por isso, na vez seguinte em que a voltou a ver, ela pareceu-lhe diferente da rapariga que tinha visto no primeiro dia. Pareceu-lhe desequilibrada, ansiosa, insegura... nada comparada à rapariga do seu mundo de sonhos - calam, generosa, confiante.
Então decidiu afastar-se. Enquanto ele não visse que ela era a pessoa que mostrara ser no primeiro dia, ele manter-se-ia afastado, pois não sabia lidar com essa inconstância, essa mudança que ela aparentava todos os dias. Ele só sabia lidar com o que conhecia, com o que estava previsto e que ele podia controlar - o seu mundo imaginário. A rapariga não entendia esse afastamento, não entendia essa mudança brusca da sua atitude para com ela. Sentiu-se magoada e triste pois acreditara que ele era o homem com quem sempre sonhara.
Um dia, após um longo tempo de introspecção, ela leu algo que ele tinha escrito anos antes e aí percebeu que o que o afastava era o medo, o medo de sofrer de novo, o medo que a sua realidade não pudesse ser perfeita como no mundo dos sonhos. O medo de não ser capaz de aceitar e de lidar com a felicidade.
Nesse dia, afastaram-se, com a certeza de que os seus corações nunca mais se reencontrariam e que as suas almas não se reconheceriam. Mas ela... ela guardou-o sempre no seu coração, pois acreditava que, pelo menos durante o tempo que estiveram juntos, ele foi o homem da sua vida.
Escrito em 16.01.2013 às 1h18
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