segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Viagem em busca da Vida




Quando comecei, o caminho era outro, mas o destino levou-me antes a percorrer este. Se no início estava alegre e queria celebrar o Amor, agora rendo-me à tristeza de a vida continuar a adiar os meus sonhos, teimando em quebrar o meu entusiasmo que perece de cansaço. E eu tento e tento, mas as forças escapam-se-me entre os dedos.
Lágrimas, que fazem aqui sem terem sido convidadas? Voltem para o canto onde vos escondi de olhares amargurados e tristes. Esqueçam que eu existo e mudem-se de almas e bagagens para outra morada! Não é um conselho, é uma ORDEM! Dei-vos já guarida por tempo demais. Não vos quero mais aqui.
As palavras afagam, sim, os sonhos acalmam a alma, sim, mas têm uma duração limitada. Cedo, pouco depois, as nuvens negras tendem a instalar-se e a tomar conta deste barco com um rumo condicionado, lento. “Paciência”, diz o meu coração, como se já não conhecesse a minha história. Há quanto tempo já eu espero? Há quantos anos, quais séculos de eternidade…?
Parto os vidros da janela para tentar respirar. O sufoco é forte demais!
Chuva e vento. O ar carregado de poluição, de um passado de mágoas que pesam no coração.

Mas, ao fundo, vejo uma luz forte, quente, colorida que me chama, mesmo sem saber o meu nome, mesmo sem saber quem eu sou. E, no entanto, sabe bem, conhece-me desde sempre. É uma energia igual à minha, com os mesmos anseios e os mesmos desejos, uma alma perdida também. Uma alma estranhamente familiar que me atrai como se me hipnotizasse com fragrâncias adocicadas.

Tenho que segui-la! Tenho que vê-la de mais perto! Não posso estar mais neste quarto cinzento de poeiras fantasmagóricas. Visto a capa vermelha e desço as escadas apressadamente. A minha vida pode depender desta derradeira viagem, desta nova descoberta. E corro, corro desalmadamente, como quem busca a vida que me rejeita e me empurra para as garras da morte.

Mas quando chego, a tal luz desapareceu. Olho em volta e não a vejo mais. As lágrimas que tentei arrumar a um canto voltam. Perseguiram-me até ali, na esperança de se apoderarem novamente de mim e choro! Choro de raiva, de revolta e grito e derrubo as caixas que madeira cheias de peixe, dos pescadores! Tudo ali, espalhado e eu no meio dos peixes que ainda abrem as bocas à procura do ar que já não respiram. Eu, tal como eles, sinto-me quase sem vida e encolho-me, em posição fetal, na esperança que essa dor desapareça, enquanto a morte assiste a esta cena, sorridente, delirante, à espera que morra para me levar.

Mas, de repente, algo de inesperado acontece. A luz regressa, detrás da esquina de uma fábrica. Inquieta, incerta e insegura dos seus passos. Mas, ainda assim, aproximando-se sempre mais. A morte, essa, assiste à cena com ódio no olhar, receando perder o seu precioso petisco.

A luz aproxima-se e analisa-me atentamente, minuciosamente, até que solta um sorriso terno e confiante. De um momento para o outro, e quando já tinha perdido as esperanças e as forças, esta luz que me conhece, mesmo sem saber nem como nem porquê, sabendo já de antemão o que deve fazer, envolve-me em raios de arco-íris, cheios de suavidade e encantamento. E sinto-me como uma árvore, coberta de capas de folhas verdes e tenras que me protegem; uma árvore que, saída de um inverno rigoroso, regressa revigorada e pronta a florescer, numa manhã doce e solarenga.

A morte, por esta altura, já desistiu - foi procurar outras presas noutras paragens cinzentas e paradas. Aqui, agora, vigora a Vida, a Esperança, a Luz e a Cor.

É então que, finalmente, desperto deste sono sombrio e angustiante, como se de um sonho se tratasse.


Abro os olhos e vejo os teus…

Azuis de mar, azuis de céu, do céu infinito e que tudo alcança e, como se regressasse do mundo dos mortos, o meu peito que até ali estava vazio, enche-se de um fôlego de ar. Um ar que cura, um ar que cicatriza.
E sei, naquele momento, que posso respirar de alívio pois nada mais me irá perturbar – estou segura e em Paz.



sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Quero o Sol!



Eu quero a nascente, o rio, o mar!
Quero as planícies, as serras, as montanhas!
Quero as nuvens, a chuva, o vento, o dia e a noite!
Quero a lua, as estrelas e as galáxias!
Quero o canto dos pássaros a ecoar nos meus ouvidos!
Quero o toque do pêlo macio dos mamíferos!
Quero perder-me nos bosques e florestas sem fim!
Quero sentir o vento soltar os meus cabelos!
Quero sentir o frio arrepiar os pelos da minha pele!
Quero sentir as gotas da chuva a molhar o meu corpo!

Mas acima de tudo, quero sentir os teus raios, Sol, penetrarem na minha pele, no meu coração… e aquecerem-me. Quero descobrir o que a tua Luz pode desencadear em cada uma das minhas células, em cada uma das minhas moléculas, em cada um dos meus átomos!

Até que numa explosão de energia, comunhão, paz e união… te possa ver finalmente por inteiro, despido de qualquer muralha, indefeso, frágil, verdadeiro e nessa verdade reencontrar a minha Essência
– a minha Alma!